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Red: será que crescer é uma fera?

Uma das imagens ainda do trailer de “Red: Crescer é uma fera” que me chamou a atenção foi quando a menina se transforma em um grande panda vermelho e está chorando no seu quarto tentando se esconder. “Não olhe pra mim! Fique longe!” ela grita!

Todo ser humano enfrenta imensas dificuldades no processo de crescer e amadurecer (alguns de nós até hoje. rs). Portanto a analogia do “monstro” com o desafio de crescer e em uma idade tão pouco retratada nas telas já é por si só um poderoso instrumento de conexão com o público. Eu já chorei por conta da minha aparência nessa idade, já vi amigas em crise, se recusando a ir em uma festa ou sair de casa por não se sentirem adequadas. Foi com essa imagem, desse pequeno frame do trailer que o filme se conectou comigo e com a minha história antes mesmo de ser lançado.


Se tratando de um filme da Pixar as nossas expectativas sempre crescem, ainda mais depois de “Divertidamente” (2015) cuja profundidade psicológica ao falar das emoções foi algo inovador. Mas isso não é novidade para Pixar que há tempos faz filmes para crianças e adultos com diferentes camadas que se conectam ao mais variado público.


Bao (2018), ganhador do Oscar de melhor curta de animação em 2019 foi dirigido por Domee Shi


Domee Shi, nasceu na China e se mudou para Toronto, Canadá quando tinha 2 anos. Red é o seu longa de estreia. Antes disso ela foi primeira mulher a dirigir um curta da Pixar (Bao/2018), e ela também foi parte da equipe de criação de Divertidamente (2015). Sua porta de entrada na Pixar foi em 2011 através de um programa de estágio. E coloco aqui parte da sua trajetória ao reverso para destacar que o lançamento de seu primeiro longa é o resultado de uma longa caminhada.


Uma nota digna de destaque é que as principais lideranças do filme são femininas. Todas elas comentam como isso foi importante para que elas se sentissem confortáveis para trazer suas próprias experiências e ideias para o processo de criação do filme. Encerrar o mês da mulher com um longa com um time assim em um dos principais estúdios de animação do mundo é muito significativo e inspirador.


Da esquerda para direita: a Diretora de Produção Lisa Fotheringham, a Produtora Lindsey Collins, a Diretora Domee Shi, a Supervisora de efeitos visuais Danielle Feinberg e a Produtora associada Sabine O’Sullivan


Em sua estreia como diretora de longa-metragem Domee Shi e sua equipe nos presenteiam com a história de Mei Lee. Uma garota de 13 anos que luta na busca de um equilíbrio entre ser a filha perfeita para seus pais e abraçar o caos que é (pré) adolescência, com todas as suas incertezas e emoções. E tudo se torna ainda mais complicado quando uma maldição da família desperta e todas as vezes que Mei fica muito feliz ou com raiva ela se transforma em um panda vermelho gingante.


Agora ela vai precisar aprender a dominar suas emoções para conseguir se manter humana. Porém, qual ser humano consegue conter as próprias emoções o tempo todo? E não são elas que nos tornam, digamos assim, humanos?


Embora traga a simbologia do panda como a puberdade (com seus odores, desequilíbrios e emoções). A mensagem final do filme não é sobre domar, inibir ou aprisionar o panda. Mas é a do grande desafio de se conhecer e aprender a se amar mesmo com todas as expectativas colocadas pelo mundo e principalmente pela sua família. Todos temos um lado difícil de lidar e somente se conhecendo aprendemos a reconhecer os triggers que podem acordar nossas feras interiores.


A relação da Mei Lee e sua mãe é um grande exemplo de como as vezes é difícil o diálogo entre pais e filhos. E histórias de pais que não ouvem estão muito presentes na história do cinema e na vida. Mas o filme também é sensível nesse ponto. Embora Ming (Sandra Oh) seja a grande antagonista querendo enquadrar a filha no padrão que ela acredita que seja o ideal, também mostra como parte dela ainda se sente como uma garota vulnerável e cheia de arrependimentos sobre a sua relação quebrada com sua própria mãe.


E como Pixar já vem se fixando como especialista em trazer tópicos densos nas diversas camadas da sua dramaturgia, Red não deixa a desejar trazendo todas essas nuances numa atmosfera leve com muito humor, boy bands, esquadrão de amigos e todas as coisas divertidas que também envolvem crescer.


E você? Já conferiu esse filme? O que achou? O que se conectou como você como público e como roteirista?


Red: Crescer é uma fera (Turning Red) foi lançado dia 11/03/2022 na plataforma da Disney +


Outras referências e dicas:

  • Curta “Bao” - Disney +

  • Making-off “O abraço do panda” - Disney +

  • Que tal se inspirar em Domee Shi e arriscar um estágio? Faça seu portfólio e acompanhe/pesquise as oportunidades para os programas de estágio de grandes estúdios ou empresas que você admira, como por exemplo a Pixar e Disney, entre outros. Esses programas tem duração de 1 ano e você tem a chance de aprender muito e ter um grande amparo já no começo da carreira.

  • Um problema para muitos com relação a esses programas de estágio é o visto para os EUA. Nesse caso outra dica é acompanhar a série de vídeos do Roteirista SulAmericano onde o Bill tem compartilhado o seu processo de mudança para os EUA como roteirista.

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