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O Senhor dos Anéis – Os Anéis do Poder – Muita beleza e pouco conteúdo

Problemas no roteiro da Terra-Média!


ATENÇÃO ! SPOILLERS ABAIXO.

(imagem: Amazonstudios)


Na ultima sexta-feira, 14 de setembro, foi ao ar o último episódio da primeira temporada de O Senhor dos anéis - Os anéis de Poder. A série da Prime Video se sagrou como a série mais cara da história investindo em torno de 58 milhões de dólares por episódio, totalizando cerca de 465 milhões, apenas em sua primeira temporada. Este orçamento astronômico se refletiu no design de produção e na computação gráfica que realmente estão impecáveis, do início ao fim, dignos da magnitude da obra de J.R.R. Tolkien e dos próprios filmes dirigidos por Peter Jackson.


Entretanto, tal esmero infelizmente não se replicou na execução do plot e do roteiro, que entregaram uma série lenta. A falta de ritmo da história e fraco desenvolvimento de personagens afetou profundamente o desempenho da obra tolkeniana.


Ambientada na Segunda Era da Terra- Média, Anéis de Poder segue a trajetória de Galadriel (Morfydd Clark) em sua perseguição à Sauron, que se tornou o novo Senhor do Escuro depois da derrota de Morgoth. Também acompanhamos o jovem Elrond (Robert Aramayo) que precisa ajudar seu povo sem perder sua amizade com o príncipe anão Durin IV(Owain Arthur) herdeiro do reino de Khazad Dûm, que na trilogia clássica foi mostrada como as escuras e assustadoras minas de Moria. Os dois elfos são dos raros personagens presentes nas trilogias de filmes de Senhor dos Anéis e O Hobbit, que estabelecem uma relação com o fã dos filmes.


Ainda há o núcleo dos homens de Númenor, antepassados de Aragorn, um pequeno núcleo de humanos e elfos na Terra Média, encabeçado pela humana Bronwyn (Nazanin Boniadi) e o elfo Arondir (Ismael Cruz Córdova), e o divertido e criativo núcleo dos Pés-Peludos, antepassados dos Hobbits.


(imagem: Amazonstudios)


Talvez um dos pecados da série seja estabelecer diversos núcleos sem desenvolvê-los apropriadamente. Quanto aos elfos, a empáfia que os discerne das outras raças é pouco visível aqui, o que não os faria simpáticos, mas os faria verossímeis. Galadriel é a única que se destaca, a única que parece diferir em uma raça que é retratada (não intencionalmente) como abelhas sem personalidade. Um desperdício, ao se levar em conta que grandes heróis do cânone de Tolkien estão presentes ali, como o Alto Rei, Gil-Galad e o artífice Celebrimbor. Entretanto, Galadriel não se destaca de uma forma positiva. A personagem foi encaixotada num casulo formulaico de heróis de aventura: jovem, tenaz, guerreira, inquieta e “a única que enxerga o perigo”. Tais atributos foram utilizados de forma tão genérica que uma das elfas mais antigas e poderosas da Terra-Média, foi representada para o público como uma adolescente irritada.


Por outro lado, o núcleo dos proto-hobbits tem mais êxito ao diferenciar personalidades e mostrar personagens interessantes, capazes de fazer o público empatizar e, principalmente, se comover, como na morte do velho Sadoc (Lenny Henry), no último episódio. Uma triste, mas grata surpresa, pois uma morte, principalmente no grupo de alívio cômico foi bastante inesperada.


Até grandes mistérios que a série tentou cultivar do primeiro ao último episódio foram desenvolvidos de forma simplória: Quem é o homem que caiu do céu e passou a viver com a pé-peludo Nori e, quem é Sauron? Quanto ao primeira pergunta, era nada menos que Gandalf, o Cinzento, uma resposta óbvia para um mistério que não se manteve de pé nem por 10 minutos para alguém que minimamente conhecia o mago dos filmes. Era claro, justamente por sua estreita ligação com os hobbits, e a entrega no final foi insossa, sem graça ou impacto.


O mistério de Sauron levantou mais questionamentos, mais dúvidas, tendo sua identidade falsa como Halbrand (Charlie Vickers) e sua relação com Galadriel, um pouco mais explorada. Entretanto, é duro acreditar que os elfos, seres que detectam magia e maldade de forma tão sutil e certeira, conforme estabelecido em outras mídias, agora foram tão facilmente enganados pelo Senhor do Escuro, ali, tramando disfarçado embaixo de seus narizes. O mistério durou um pouco mais, mas a verdadeira identidade do personagem também não foi das maiores surpresas. Um personagem que entra na história sem explicações, galga prestígio sem qualquer ato ou personalidade e é declarado rei sem qualquer embasamento ou pompa, foi o alvo certo para a maioria das teorias.


(imagem: Amazonstudios)


Assim, era previsível que personagens mal desenvolvidos apenas resultassem em núcleos mal desenvolvidos. Os anéis de poder, que nomeiam a série só foram apresentados no último episódio, a ameaça para os elfos pouco explicada, apenas um argumento para gerar urgência pra Elrond. O próprio plot da criação de Mordor, o reino de Sauron, foi mais um desperdício de uma boa premissa, engolido por um roteiro que rodeia, se alonga, mas não informa, não progride. A série fala muito e diz pouco.


Ainda assim, o esplendor visual, é um desbunde. O clima tolkieniano, tão habilmente traduzido por Peter Jackson no passado, ainda se encontra aqui, mesmo que diluído, e a série sobrevive literalmente de aparências.

Anéis do Poder teve uma grande audiência, talvez mais pelo que representa do que pelo que de fato é, e é melhor que a produção se empenhe em criar uma boa história para a próxima temporada, antes que o grande público perceba.

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