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Como Precificar Meus Serviços?


Tá certo, você ta aí ralando pra ocupar seu lugar ao sol, daí chega aquele e-mail bendito querendo te contratar para um job freela. É justamente o que você precisa, mas na hora de passar um orçamento vem a dúvida: "Mas quanto eu cobro?"


Aí a mente já começa a viajar. Você começa a pesquisar, pergunta nas redes sociais, vai em site de tabela de sindicato, tudo com medo de cobrar demais ou de menos. Acredite, eu entendo perfeitamente o sentimento porque eu também já estive aí. Até que eu aprendi uma coisa que mudou a minha carreira.


O valor do meu trabalho quem define sou eu.


Parece simples e óbvio, mas não é. Como citei acima, o primeiro reflexo da maior parte das pessoas é buscar a resposta do lado de fora, em amigos, colegas, tabelas e etc. O que você precisa entender, é que a resposta está dentro de você.


Por isso eu vou compartilhar com você o que eu aprendi e como eu precifico o meu trabalho.


Primeiramente, vamos partir da seguinte premissa: É MUITO difícil tabelar valor de serviço, principalmente os criativos. O valor de um serviço está diretamente ligado a formação e a experiência do profissional. Isso significa que um profissional com formação, especialização e doutorado, bastante experiência vai cobrar X. Isso não significa que uma pessoa que está chegando agora vai ganhar X.


É exatamente por isso que você não deve NUNCA, JAMAIS nivelar o valor do seu trabalho de acordo com outra pessoa. Você não sabe o quanto aquela pessoa estudou ou se dedicou pra estar cobrando aquele valor, e tentar se igualar ao salário do outro não vai te ajudar de forma alguma. Cada profissional tem o seu valor e é tudo bem ser assim, afinal, nós enquanto consumidores queremos liberdade para escolher preço e qualidade dos serviços que vamos contratar.


Tendo dito isso, a primeira pergunta que você deve se perguntar é:


Quanto vale a minha hora de trabalho?


Tempo é dinheiro e um salário nada mais é do que um valor em troca de um número determinado de horas por mês. No Brasil, um salário mínimo de R$1039 se converte em aproximadamente, R$6,49 por hora.


Mas se você escolheu seguir carreira de roteirista, eu posso afirmar com certeza quase absoluta que você não quer ganhar apenas um salário mínimo por mês.


Pois bem. Quanto você quer ganhar? na verdade, acredito que a pergunta mais pertinente é: Quanto custa a sua vida? Coloque na ponta do lápis suas despesas fixas (aluguel/passagem/alimentação/internet), suas despesas extras (lazer/baladas/jogos/hobbies), Digamos que você quer ser capaz de guardar 10% na poupança. Adicione isso ao cálculo. Ah, e não esqueça de calcular o seu imposto de renda.


A soma te todos esses gastos é quanto custa ser você no mundo. Agora você vai somar a esse valor, sua educação e experiência profissional e cursos extras. Tudo isso influencia no seu valor de mercado. Quanto você investiu de tempo e grana pra saber o que sabe hoje? Coloca tudo na ponta do lapis. Faça um planejamento onde você consiga recuperar todo esse investimento em 5 anos.


Agora vamos calcular a sua hora de trabalho.


Uma pessoa normal trabalha 40 horas por semana, uma média de 4 semanas por mês, um total de 160 horas por mês. Divida o custo da sua vida por 160 e voilá, este é o valor da sua hora de trabalho.


Agora que você sabe quanto vale a sua hora de trabalho, você consegue precificar qualquer coisa.


É um job de revisão de texto? Tem 100 páginas? Quantas horas você vai precisar pra se dedicar a essa revisão? Vamos dizer que você reserve duas horas por dia pra essa missão durante uma semana. você vai cobrar por 10 horas de trabalho.


OUTRAS VARIÁVEIS:


PRAZO. Se o cliente diz que precisa do trabalho em uma semana, você tem que se virar pra encaixar essas horas na sua semana ou então recusar o job. Quanto mais curto o prazo, mais alto o preço. Quanto mais relaxado for o prazo, mais barato você pode cobrar, uma vez que esse job não vai te exigir muitas horas por dia.


EXCLUSIVIDADE. Esse job necessita de exclusividade? Você precisa se dedicar exclusivamente a ele ou tem como pegar outros jobs paralelos? Se for algo que necessite de todo o seu foco, o valor aumenta. Se for algo que te permita continuar fazendo seus corres por fora, a coisa já fica mais barata.


O CLIENTE. Você não vai cobrar pra o Zezinho que está fazendo um filme independente o mesmo que vai cobrar pra uma major. Aqui vale o bom senso. O Zezinho pode não ser o cliente que você queira, mas talvez seja aquele que você precisa naquele momento. Um job independente é a melhor forma de colocar seu nome no mercado e fazer networking. Normalmente isso tem um impacto muito positivo na carreira de qualquer roteirista, mas e preciso saber calcular o valor indireto daquele job pra sua carreira. E pra isso eu costumo usar a seguinte via de regra:


Esse job vai me engrandecer profissionalmente? Ou sou eu quem vou engrandecer o job? As vezes tem aquele amigo com quem você quer trabalhar junto, ou aquele profissional que você admira. Nesses casos, você também está fazendo um investimento, abrindo mão de parte do seu pagamento em troca do valor profissional indireto que aquele job vai te proporcionar.


E finalmente, o seu DIFERENCIAL.


Lembre-se sempre disso: serviços diferenciados têm preços diferenciados. Você tem uma área de expertise que é muito específica? Digamos que você é um expert em video-games e essa expertise vai vir a calhar na hora de escrever um determinado projeto. Você deve estar ciente das suas maiores forças e das suas piores fraquezas como roteirista pra saber o que te diferencia do resto dos roteiristas.


Eu tenho um aluno que além de roteirista, é também médico. Nem preciso dizer que ele escreve dramas médicos com bastante propriedade, sem a necessidade de consultores externos. Esse diferencial, essa expertise específica vai economizar MUITA grana pra produtora, uma vez que ele cumpre a função de duas pessoas (Roteirista e Consultor Técnico). Nesse caso ele pode e deve cobrar acima de seus concorrentes, uma vez que no fim das contas ainda vai sair mais barato pra produtora.


Espero que isso tenha te ajudado a calcular o valor do seu próprio trabalho. Lembre-se, a gente trabalha pra não ter que trabalhar. Nós investimos horas de trabalho pra termos horas de lazer. Por isso, conheça-te a ti mesmo, saiba quanto vale seu lazer e o quanto é preciso pra te fazer levantar da cama todo dia as 6 da manhã.


Boa sorte.


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