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Cavaleiro da Lua – Derrapou mas entregou


Imagem: Nationalworld


A mais recente minissérie da Marvel, Cavaleiro da Lua chegou ao seu final na última quarta-feira (04/05). A série narrou a história de Marc Spector e Steven Grant (Oscar Isaac), duas personalidades de um homem com transtorno dissociativo de personalidade que, ao se tornar o avatar do Deus Egípcio Konshu, precisa deter Arthur Harrow (Ethan Hawke), o líder de uma seita que planeja libertar Ammit, uma deusa que pode destruir a humanidade.


Cavaleiro da Lua sem dúvida foi uma superprodução. Contou com paisagens exuberantes, cenários ultra-produzidos e algumas boas cenas de ação (não foram o forte).


Entretanto, a série agradou mais ao explorar a dinâmica entre as duas personalidades do herói, principalmente trazendo o foco para o tímido e desajeitado Steven Grant ao invés de seguir os quadrinhos, onde a personalidade mais apegada ao público é o mercenário Marc Spector. O ponto alto da história é a interação entre os dois, principalmente quando exibida através de espelhos, Isaac não decepciona na atuação dos dois personagens tão diferentes, apesar de encontrar certo auxílio no sotaque britânico de Steven.


O plot é linear ao levar os dois primeiros episódios para apresentar os personagens, os dois do meio como complicações e aprofundamento da trama e os dois últimos como o clímax conclusivo. Entretanto, a série acabou pecando no ritmo, principalmente no meio, onde há certa barriga, o que levou a história perigosamente ao limiar do tédio, especialmente no episódio 3.


Especificamente, no roteiro, o episódio 3 tem diversos problemas de simplificações, motivações mal explicadas e facilitações narrativas. A série começa muito bem no episódio 1, cai um no 2, vai ao seu fundo no 3 e começa a se reerguer no 4 até o 6, onde entrega um final interessante, mais pela verdades vindo à tona entre as Steven e Marc e pela queda na expectativa gerada pelos episódios anteriores, que pelo mérito da conclusão em si.


A série parece entender que, ao contrário de todos os heróis do MCU, seu ponto forte é muito mais no desenvolvimento dos protagonistas que nas cenas de ação do Super-herói, que são fracas e preguiçosas. A série chega a se dar o luxo de passar praticamente três episódios sem mostrar o herói “transformado” e explorando apenas Marc e Steven tentando se entender e trabalhar juntos.


O vilão apesar de um pouco diferente do usual, ainda é de certa forma genérico. Infelizmente, o potencial narrativo que Arthur Harrow tinha como líder de uma seita acaba não sendo explorado, e tampouco a genialidade de Ethan Hawke, que acaba relegado a um personagem unidimensional e insosso, especialmente nos últimos episódios.


Cavaleiro da Lua é uma minissérie, o que significa que, apesar do gancho deixado no fim, dificilmente terá uma segunda temporada. Esta é uma fórmula interessante que pode priorizar a qualidade narrativa ao lucro comercial, entretanto, ainda há qualidade narrativa a ser alcançada, pois o lucro comercial é certo.

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